segunda-feira, 1 de outubro de 2012

AME Amazonas 1600



  Quem nunca ouviu falar da Amazonas? Apesar de presença rara nas ruas e estradas, a moto brasileira com mecânica Volkswagen refrigerada a ar ficou mundialmente famosa, por essa peculiaridade e por sua exuberância de dimensões e peso.
     No final da década de 70, dois amigos de São Paulo decidiram construir uma motocicleta. Para tanto, adaptaram um conjunto mecânico (motor e câmbio) Volkswagen 1200cc do Fusca em um quadro montando com partes de uma Harley-Davidson e de uma Indian (motos americanas).
     Os dois malucos de quem estamos falando são Luiz Antonio Gomi e José Carlos Biston.

Em dos muitos encontros motociclisticos que existem pelo Brasil se você encontrá-lo certamente ouvirá a história de como surgiu a idéia de construir uma moto com o motor VW, segundo palavras do próprio Luizão:
"… Eu tinha uma Harley e um Fusca. Todas as vezes que eu saia de Harley sempre ocorriam pequenos problemas: Você sabe como é quebrava uma corrente, descarregava a bateria e etc… e sempre quem ia como socorro era o meu fusquinha. Ai eu pensei, VOU COLOCAR O MOTOR DO FUSCA NA HARLEY…. Ele nunca quebra!!!…"
E assim com este pensamento simplista surgiu o maior mito das estradas brasileiras.

Historia da Amazonas
      A ideia de se construir uma motocicleta com motor VW, não foi exatamente iniciada com a Amazonas. No início dos anos 70, os mecânicos Luiz Antonio Gomi e José Carlos Biston, construiram uma máquina de 330 quilos com motor VW a ar de 1500 cc, cujo volante do motor fora aliviado, pois a moto, inicialmente, tinha a tendência de inclinar-se em demasia quando acelerada. O câmbio também era da marca alemã, tendo a marcha-a-ré em alavanca à parte, a fim de não confundí-la com as outras marchas, que eram acionadas pelo pé esquerdo, como em qualquer outra moto.

A suspenção traseira tinha duas molas auxiliares, paralelas às originais e, na dianteira, contava com dois amortecedores de direção do fusca, que foram colocados lateralmente aos telescópicos dianteiros, enquanto o sistema de freios era composto por dois discos de Ford Corcel na frente e apenas um atrás, com pinças de VW Variant, sendo usado o cilindro mestre do Fusca.

 A estrutura foi feita com pedaços dos quadros de uma Harley e de uma Indian 1200 de 1950, enquanto a parte inferior foi construida artesanalmente e, incrível, foi aprovada pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP. Posteriormente, para a fabricação do protótipo, que ostentava detalhes como o painel do Chrysler Esplanada e tanque em forma de caixão, os dois amigos instalaram uma oficina em São Paulo, na Av. Dr. Salomão Vasconcelos 668, e construiram mais três Motovolks, cujo paradeiro é, hoje, desconhecido.
        Mas a história nao termina aqui. Um grupo de São Paulo, a FERREIRA RODRIQUES, interessou-se pelo projeto dos mecanicos, então nasceu, em 1978, a lendária AMAZONAS, única moto com marcha-a-ré, que foi considerada na época, a maior motocicleta do mundo. Foi a maior febre em todo o Brasil, pois nesta época, não havia importacao de motos no Brasil, e tínhamos de conformar-nos com algumas motos nacionais de baixa cilindrada.
Deste modo, surgiu a "Amazonas Motocicletas Especiais – AME", empresa fundada em 15 de agosto de 1978, no bairro da Penha (SP). 
A produção dos modelos da marca iniciou-se, entretanto, apenas trinta e dois dias depois da criação da AME, que comecou a construir os modelos Turismo Luxo, Esporte Luxo e Militar Luxo. A moto era uma verdadeira salada de peças de carros da época, com peças de Corcel, Fusca, Caminhao Mercedes 608, Puma e Ford. Era uma moto superdimensionada e, por isso, era muito forte e durável, coisa não muito comum nos dias de hoje… Tanto que ainda é muito comum nestes dias, ver-se umaAmazonas com várias peças originais, em perfeito estado de conservação. Ela teve até um modelo a álcool, em 1978.

Este modelo dispunha de carenagens integrais do motor, para mantê-lo em temperaturas mais elevadas. A Amazonas foi exportada para várias partes do mundo, inclusive para o Japão. Foram feitas diversas modificações durante sua existência, inclusive no chassis, suspenções, estética e motorizações, até sua total extinção, em outubro de 1988, sendo que cinco ou seis motos ainda foram montadas no ano seguinte, marcando assim, o fim do MOTOSSAURO.
Para se ter uma ideia, a Amazonas custava o equivalente a seis Honda CG125, na época em que ela era fabricada (pesquisa feita pela revista moto show em 15 de abril de 1983). Nos dias de hoje, encontrar umaAmazonas original não é tarefa das mais fáceis, pois ao longo dos anos, seus proprietários fizeram várias modificações, tanto na estética como na mecanização.
     Suas linhas lembravam as das Harley-Davidsons 1200 da época. Tinha um grande tanque (24 litros), carenagens laterais atrás do motor, um largo banco, farol retangular e itens cromados em profusão. Dois porta-objetos ladeavam o pára-lama traseiro, sendo protegidos por frisos cromados; acima vinha um bagageiro também cromado.
 O painel era composto por velocímetro e conta-giros (até 6.000 rpm e com faixa amarela já a 4.500, bastante baixa para uma moto) emprestados do esportivo Puma, além de luzes-piloto. Uma luz vermelha indicava o uso da marcha à ré, com engate pela alavanca à direita.
     A moto recebeu aprimoramentos durante sua vida, mas em geral discretos. No início da década era oferecido o motor a álcool, que possuía carenagem mais ampla para ajudar a manter o motor em maior temperatura. Em 1982 ganhava uma renovação de estilo, com dois faróis retangulares menores, abaixo do principal, e encosto para o passageiro. Uma opção de pintura então adotada, com faixas em azul-claro e vermelho sobre fundo branco, era um tanto chamativa e acentuava suas dimensões.

Em 1986 a AME mudava de mãos, adquirida por Guilherme Hannud Filho, mas sua história não iria muito mais longe. Em outubro de 1988 a empresa encerrava sua fabricação, com um total próximo a 450 unidades, das quais mais de 100 destinadas a polícias e escoltas. Uma delas recebeu um kit para elevar a cilindrada a 2.275 cm3, nos EUA. Apenas oito unidades de um side-car ("carro" lateral à moto) foram fabricadas.
Oito unidades receberam side-car, o "carrinho" lateral, e algumas Amazonas foram exportadas para os EUA, Japão, Kuwait e países europeus.
 

O espírito da Amazonas teve prosseguimento com a Kahena, moto de linhas mais atuais e esportivas com a mesma mecânica, apresentada em 1990. Mas o modelo original jamais será esquecido por suas dimensões exageradas e pela motorização peculiar.
     Existem hoje, Amazonas com injeção eletrônica de combustível. As pessoas que elaboraram a Amazonas,iriam ficar boquiabertas, ao ver estas motos ainda rodando.


FICHA TÉCNICA
MOTOR – 4 cilindros horizontais opostos, 4 tempos, refrigerado a ar;
comando no bloco, 2 válvulas por cilindro.
Diâmetro e curso: 85,5 x 69 mm. Cilindrada: 1.584 cm³.
Taxa de compressão: 7,2:1. Potência máxima: 56 cv a 4.200 rpm.
Torque máximo: 10,8 m.kgf a 3.000 rpm. Dois carburadores.
Partida elétrica.
CÂMBIO – 4 marchas mais ré; transmissão por corrente.
FREIOS – dianteiro, duplo disco; traseiro, um disco (Ø ND).
QUADRO – berço duplo em aço.
SUSPENSÃO - dianteira, telescópica; traseira, duas molas.
PNEUS – dianteiro e traseiro, 5,00-16.
DIMENSÕES – comprimento, 2,24 m; largura, 1,05 m;
entreeixos, 1,69 m; capacidade do tanque, 30 l; peso líquido, 384 kg.
DESEMPENHO – velocidade máxima, cerca de 140 km/h;
aceleração de 0 a 100 km/h, cerca de 10

CLIQUE PARA AMPLIAR











Um comentário:

marcilio braga jr disse...

é uma pena que não haja contexto nos dias de hoje para ideias tão brilhantes , legião,capital,cazuza,ame1600 são frutos de opreção saindo pela valvula de escape (punk is not dead)

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...